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"UM CRONISTA URBANO EM BUSCA DE ECO", MARCOS BIN FALA DE CH
07/12/2005 · 17:05
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Por Marcos Paulo Bin
Com dezenas de canções guardadas ao longo de 20 anos, o cantor, compositor e violonista Cláudio Henrique somente estreou no mercado em 2002, com um disco auto-intitulado. Nos últimos três anos, ele remexeu no vasto baú e pegou outras músicas que, somadas a novas composições, deram origem ao CD Número 2 , lançado pela gravadora Seven.
O novo trabalho de Cludio Henrique reforça sua principal característica como compositor, apresentada ao público no primeiro CD. Cláudio é um verdadeiro cronista urbano, um contador de histórias fictícias mas que acontecem de verdade, todos os dias, no cotidiano de uma cidade.
A maioria das músicas tem como cenário o Rio de Janeiro. Entre sambas, baiões, rocks e baladas, Cláudio Henrique cria personagens e descreve situações que parecem contos, com mocinhos e bandidos, início, meio e fim. Uma vivência que ele traz da profissão de jornalista, e utiliza em músicas como Bira – A Lenda de Irajá , Made in Baixada , Nego Besta , Mulheres Alteradas e Ana Beatriz .
“Crio roteiros a partir de um personagem. São experiências que adquiri como repórter de geral, sendo da Zona Sul. Mas posso falar tanto da pessoa que mora no subúrbio carioca quanto da patricinha do Leblon, ou então de um jovem paulista”, explica Cláudio Henrique.
Musicalmente, uma diferença entre os dois discos está na utilização maior do violão, instrumento que aparece em todas as músicas. Algumas delas, como Mar de Outono e Era Assim (A Canção dos Inocentes) , têm a presença de um belo naipe de cordas, com a participação do violinista francês Nicolas Krassic.
Outra novidade é a voz de Cláudio Henrique, que está mais à frente dos instrumentos, fazendo com que as mensagens estejam mais claras.
Essas mudanças devem-se, principalmente, ao trabalho de dois produtores: Bruno Migliari e Alex de Souza. O resultado é um disco menos pop que o primeiro, mais próximo do que se convencionou chamar de MPB.
“Os produtores mantiveram as características originais do violão, que é o meu instrumento. As músicas foram compostas dessa forma. Neste disco o violão foi mais respeitado”, avalia Cláudio Henrique.
Para o cantor, outro diferencial do novo trabalho é sua maior participação nas decisões tomadas dentro do estúdio, o que deixou as músicas da forma como ele queria.
“O grande desafio do compositor é saber dialogar com os músicos, o que consegui fazer melhor desta vez. A cada disco, vou ter mais condições de imprimir nas músicas aquilo que pensei para elas”, acredita.
Famoso quem?
Ciente das dificuldades de execução em rádio e TV e da distribuição nas lojas, Cláudio Henrique dedicou seu segundo CD a “todos os banheiros do mundo, altar dos cantores anônimos e dos compositores em busca de eco para suas canções”.
A figura de um banheiro ilustra a capa de Número 2 e o site oficial de Cláudio Henrique. Brincando com a idéia do anonimato, o cantor deu à seção de biografia o nome “Tem Gente”. O texto que fala de sua vida é introduzido pelo título “Famoso Quem?”.
Para tentar reverter essa situação, Cláudio Henrique pretende investir em shows, o que fez pouco quando lançou o primeiro CD. Vai ser uma boa oportunidade para este incansável cronista sair do banheiro e fazer ecoar suas criativas canções.
Veja em: http://www.universomusical.com.br/materia.asp?mt=sim&id=748&cod=mp |
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