#1 Matilha 04:13 Voz Claudio Henrique • Baixo André Agrizzi • Guitarras Nilo Nunes • Teclado e piano Fabrizio Iorio Bateria e antena Sky TV Mac William
Esta é a segunda parceria com Renato que gravo. Antes fizemos 'Olhos de Menina', do primeiro CD, cuja letra escrevemos juntos, no Cervantes de Copacabana – eu fazendo depois, só, a canção. 'Matilha' foi diferente. Nasceu numa noite em que fomos pra minha casa cheios de má intenção: voltar a compor. Renato me falou sobre o desejo que tinha de voltar pra casa e contar as coisas do seu dia para sua mulher. Mostrei a ele uma melodia nova e arrisquei os primeiros versos com descrições rotineiras. Seguimos acrescentando imagens cotidianas e, ali também, surgiu a melodia do refrão. Ou seja: letra e música desta vez nasceram com o testemunho dos dois autores. Prova de que amadurecemos como parceiros. E também como amigos e irmãos. Aliás, é disso que trata a música: viver juntos, pertencer. Famílias, de todos os tipos, são matilhas.
#2 Intruso 04:51 Voz e violão de nylon Claudio Henrique • Baixo André Agrizzi • Guitarra e violão de aço Nilo Nunes Piano e teclados Fabrizio Iorio • Bateria e percussão (antena de Sky TV e vassourinha) Mac William
Há músicas que chegam de uma vez, que saem como uma cusparada – certeiras ou não. Esta foi assim: letra que se escreve de roldão, violão que vai ao peito e a melodia que surge, exigindo pequenos acertos nos versos iniciais. A canção sintetiza a sonoridade da banda formada para o CD, com Agrizzi 'Macca', Nilo, Fabrizio e Mac, todos eles apresentados a mim por Kleber França, o produtor. Desde o primeiro ensaio, sacamos que a química era esta: deixar o meu violão conduzir a canção. Eles se encarregando de criar os climas que cada música pede.
#3 Catorze Cores 05:16 Violão (nylon) base, solos, gaita e vozes Claudio Henrique Violões de nylon Bernardo Bosisio
Há momentos em que o compositor quer a melodia rebuscada, a harmonia refinada ou o ritmo inusitado. Mas também há beleza e poesia em palavras simples e baladas de violão. Esta canção é daquelas pra se cantar junto. Daí termos decidido deixá-la assim, singela, como 'música de acampamento', como dizia Renato Russo. A melodia fala por si, emoldurada pelo rico dedilhado de Bernardo Bosisio – um violão de 14 mil cores.
#4 Labirinto de Creta 04:48 Participação especial DJ Cleeeston, do Detonautas, no scratch de 'Já que Sou Brasileiro' (homenagem a Lenine)
Esta foi a primeira canção que fiz logo após a gravação de #2 (2004). É possível identificar nela algo próximo ao estilo daquele repertório. A música ganhou um arranjo a partir do inventivo baixo criado por Agrizzi. A citação-homenagem a Lenine, um de meus gurus da composição, foi ilustrada pelo DJ Cleeeston, do grupo Detonautas, em participação muito especial promovida pelo Kleber França. Vozes e violão de nylon Claudio Henrique • Baixo André Agrizzi • Guitarra Nilo Nunes • Teclados Fabrizio Iorio Bateria e percussão (carrom, antena de Sky TV e derback) Mac William
#5 Rodada Geral 03:39 Voz e violão de nylon Claudio Henrique • Baixo André Agrizzi Guitarra e violão de aço Nilo Nunes • Teclados e clavinete Fabrizio Iorio Bateria e percussão (moringa, antena de Sky TV, derbak, pandeirola e cow bell) Mac William Som ambiente captado pela unidade móvel do Small Room no Armazém S. Thiago, o Gomez, bar secular na Rua Áurea, em Santa Teresa
Bob Dylan já disse que só acredita em canções que começam e terminam no mesmo momento de criação. Sou obrigado a discordar. Há músicas que fazemos e deixamos de lado, para, tempos depois, retomá-las. Foi assim com 'Rodada Geral', lavra dos anos 90 que, ano passado, ressurgiu ao meu violão a partir de um novo riff pontuando a letra, que inspirou também uma nova continuação dos versos. Na faixa, destaque para a guitarra faroeste, a la Enzo Morricone, sacada de Nilo Nunes, e a levada de Mac William, na batera especialmente construída para ele pela Pearl, a quem o músico fez apenas uma exigência: que todas as peças, de madeira, viessem de uma mesma árvore. Como sua musicalidade: única.
#6 Mixaria 03:24 Voz Claudio Henrique • Arranjo e violões (de seis e sete cordas) Luís Filipe de Lima • Cavaquinho e banjo Alceu Maia Flauta Eduardo Neves • Percussão Beto Cazes • Coro e 'pastoras' Rosângela Caldas e Claudio Henrique
Gravar sambas é, digamos, quase obrigatório para mim. Para este CD, escolhi alguns da nova safra, que fiz questão de entregar a Luís Filipe de Lima, um dos meus muitos professores de violão. Trabalharmos juntos era uma promessa eterna, proferida naquele tom de combinação carioca sempre que nos esbarrávamos em shows e bares do Rio. Seu talento, que transborda nos CDs e shows que já produziu, realçou a pegada melódica de 'Mixaria' com uma baixaria no sete cordas que mistura sotaques de samba e rock. Para a empreitada, ele formou banda do primeiro time: Alceu, Edu e Cazes. Como diz o Luís Filipe: 'fomos todos felizes'. Há quem tente me convencer de que eu deveria fazer apenas sambas. Adoro o gênero, mas não consigo me limitar assim – me interessam as canções e não estilos. E, afinal, como ensinou o mestre João Nogueira: 'Ninguém faz samba porque prefere'.
#7 Chá de Sumiço 03:43 Partido de altos e baixos Voz Claudio Henrique • Coro e 'pastoras' Rosângela Caldas e Claudio Henrique Arranjo e violões (de seis e sete cordas) Luís Filipe de Lima • Cavaquinho e banjo Alceu Maia • Percussão Beto Cazes
Era uma noite quente no Manolo, bar em Botafogo, quando alguém me apresentou a Marcão Mundo Novo, que organiza um bloco de carnaval do bairro. Ao saber que eu era compositor, chope na mão, ele começou a cantarolar para mim vários sambas de anos anteriores do bloco. Lá pelo terceiro ou quarto, chamou-me a atenção um refrão que dizia: 'parei com isso, e foi por isso que eu dei esse sumiço'. Na mesma hora perguntei se eu poderia usar o mote para compor um partido-alto, o que fiz na mesma noite, já em casa. Na gravação, a pegada inconfundível de Alceu Maia e o auxílio luxuoso dos vocais de minha irmã, Rô, que me acompanha na música desde os tempos de nossa banda nos anos 80, o Compartimento Surpresa.
#8 Condomínio 04:17 Voz Claudio Henrique • Arranjo e violão de seis cordas Luís Filipe de Lima • Piano Itamar Assiere Sax soprano Eduardo Neves • Baixo acústico Jorge Helder • Percussão Beto Cazes
Muita gente faz careta ao ouvir os primeiros versos de 'Condomínio', antes de perceber que, apesar do 'suicídio', trata-se de música irônica, nonsense. As palavras trágicas, pesadas, contrastando com a melodia suave e a harmonia trabalhada, não escaparam à sensibilidade de Luís Filipe de Lima, que soube vestir a canção escrevendo um arranjo que mistura tensão e deboche, agravados pela performance ousada de Edu Neves. Na gravação de voz, uma história do produtor Kleber França: ele saiu pra tomar um café na rua e deixou a música randômica, pra que eu treinasse a interpretação, mas, malandro, manteve gravando. E foi ali, naquele momento só, que saiu o take definitivo, registrado aqui.
#9 Erro 404 – A busca 03:25 Voz e solo na introdução Claudio Henrique • Arranjo, violões e solo principal Bernardo Bosisio Percussão Joca Perpignan • Baixo André Agrizzi
Fiz questão de registrar a sonoridade simples, mas ímpar, do trio que, em 2006, formei para os shows do CD #2. E esta era, claro, a canção ideal, demandando a percussão de Joca Perpignan, com raízes que ligam Israel à Lapa, e o violão sempre genial de Bernardo Bosisio, que me acompanha desde a gravação de #2, em 2004. Ambos criaram a atmosfera perfeita, com o grau flamenco e de exotismo que a melodia pedia. O título é uma alusão à mensagem que encontramos na internet quando buscamos alguma página e não achamos. Mas a música fala de outro tipo de desencontro, mais real.
#10 Vigília 05:17 Voz Claudio Henrique • Baixo André Agrizzi • Guitarras e violão de aço Nilo Nunes Teclados Fabrizio Iorio • Bateria Mac William
Não é a primeira música em compasso 6x8 que gravo. Embora a intenção aqui seja mais de 3x4, como uma valsa contemporânea. No arranjo, é a guitarra claptoniana de Nilo Nunes que reina, desenhando sobre a harmonia e o arranjo acústico, que eu criara no violão. A banda conferiu à música um clima que circula entre o 'brega-romântico' e o rock-pop. Mas, acima de tudo, é uma canção de amor.
#11 Márcia Maria 03:04 Vozes Claudio Henrique • Baixo André Agrizzi • Guitarras e violão de aço Nilo Nunes Piano e órgão Fabrizio Iorio • Bateria e percussão (antena de Sky TV) Mac William Participação especial Pelin Capobianco, ao bandoneon
A idéia de transformar a canção num tango-rock foi de Agrizzi. O arranjo foi feito e ensaiado, mas, desde o início, insisti que seria interessante dar um toque de legitimidade à canção, com um bandoneon. Mas onde encontrar um 'bandeonista'? Com a ajuda do oráculo – o Google –, tive a sorte de conhecer Pelin Capobianco, uruguaio radicado no Rio há quase 40 anos, que em antigos estúdios como o da RCA Victor emprestou seu talento a discos de Roberto Carlos, Jerry Adriani e Magal, entre outros. Com o instrumento que pertenceu ao seu pai, um AA fabricado nos anos 30, o maestro adicionou à canção o aroma boêmio e a respiração dramática que buscávamos.
#12 Latitude 05:20 Voz, violão de nylon, viola caipira e gaita Claudio Henrique Violão de aço Nilo Nunes Teclado e arranjo para cordas Fabrizio Iorio Percussões (moringa, tabla high e tabla low) Mac William
A percussão – quase um solo – extremamente melódica de Mac William podia servir de base para muitos devaneios. Pensamos em harpa, flertamos com cellos e violinos, mas acabamos resolvendo com viola caipira, violão de aço e gaita, tudo costurado pelo teclado do Fabrizio, que fez ataques em cadências de cordas, criando uma ambiência quase experimental.
#13 Cicatriz 04:27 Voz Claudio Henrique • Baixo André Agrizzi • Guitarra Nilo Nunes Órgão Fabrizio Iorio • Bateria e pandeirola Mac William Participação especial de Alberto B. Vaz na steel guitar
A história desta música começa com um convite que recebi do produtor e guitarrista A. Castilho para letrar melodias que ele preparava para uma artista. Na safra, surgiu 'Cicatriz', blues que foi se modelando ao meu violão e, ao final, me convenceu de que poderia pleitear um lugar no repertório do CD. Nos ensaios, decidimos que seria aqui o lugar livre para improvisos: arranjo de Agrizzi, solos de Fabrizio Iorio e Nilo Nunes e ainda a sonoridade rascante de Alberto B. Vaz na steel guitar. Na letra, uma citação-homenagem a mais um mestre, Chico Buarque.